Prefeito de Várzea Grande contrata empresa investigada por fraude


A empresa CONSEP - Consultoria e Estudos Pedagógicos Ltda, alvo de Operação Policial no estado do Ceará, foi contratada pelo prefeito de Várzea Grande, Robert Eudes Segundo, através de dispensa de licitação, para realizar teste seletivo no município visando o provimento de 20 (vinte) vagas para o cargo de professor junto a Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Extrato da contratação foi publicado no Diário Oficial dos Municípios, edição do dia 11 de junho, e vai vigorar até 31 de dezembro de 2021.


A empresa foi alvo da operação “Amigos do Rei”, deflagrada pela Policia Civil do Ceará, com o objetivo de combater fraudes no resultado do Concurso Público realizado no Município de Baixio. Na operação foram presos os sócios da CONSEP, o advogado Tiago Lima Iglesias Cabral, procurador municipal de Picos, e o jornalista Diego Lima Iglesias Cabral.


Robert Eudes Segundo

No decorrer da investigação, na sede da empresa, foram encontradas várias anotações relativas ao concurso, contendo notas de candidatos com resultados diferentes dos publicados e apenas uma folha de resposta de um candidato, que revelou uma pontuação distinta da divulgada no resultado final.


Segundo o promotor João Eder Lins dos Santos, da comarca de Baixio, “apesar de ter a obrigação de guardar os documentos relativos ao concurso, como folhas de respostas, os denunciados destruíram as provas para prejudicar o andamento das investigações. Contudo, a documentação apreendida é farta e o teor das conversas entre os denunciados não deixam dúvidas quanto à completa manipulação do resultado do certame”.


“A quebra de sigilo de dados ainda revelou que os integrantes da empresa CONSEP constituem uma associação criminosa destinada a fraudar o caráter competitivo dos concursos, fazendo acertos com outras bancas. Quanto ao concurso em apreço, em um dos diálogos extraídos, Tiago Iglesias chega a reclamar com o pai, Dirceu Iglesias, acerca do ponto de corte de 60% do concurso realizado em Baixio, pedindo para que o mesmo não colocasse mais esse ponto de corte em todas as matérias pois ficaria difícil arrumar o esquema”, narra o membro do MPCE.


Os diálogos obtidos pela Policia Civil e Ministério Público mostram ainda fraudes no ajuste da nota final de uma candidata que, de acordo com o gabarito verdadeiro colacionado ao inquérito civil, ficou muito distante de alcançar a aprovação, contudo trabalha normalmente exercendo o cargo efetivo.

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