Profissionais da Saúde iniciam greve em todo o Piauí nesta quinta

Os profissionais da saúde do Estado do Piauí, com exceção dos médicos, iniciaram nesta quinta-feira (25) uma greve em todo o estado, após decisão anunciada na última sexta-feira (19). Em forma de protesto, os trabalhadores decidiram fazer uma caminhada que partiu do Hospital Getúlio Vargas (HGV), com destino ao Palácio de Karnak, no centro de Teresina. GP1/PI

Entre as principais reivindicações estão: o não pagamento do adicional de insalubridade de 40%, a baixa qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) fornecidos pela Sesapi durante a pandemia do novo coronavírus e a falta de transporte para que os profissionais possam ir ao trabalho, já que em Teresina os motorista e cobradores de ônibus estão em greve.

Geane Sousa, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde Pública do Piauí (Sindespi) considerou negativa a reunião ocorrida com os membros do governo. Segundo Geane, o governo alega não ter condições financeiras para o pagamento de insalubridade e não deram nenhuma solução em relação aos demais problemas enfrentados pelos profissionais que estão sendo expostos diariamente a doença e que estariam sem qualquer assistência.

“Eles deixaram claro que os 40% da insalubridade não podem dar. Inclusive, ontem estava o Luiz Antônio do Tribunal de Contas, que disse que a arrecadação do Estado caiu, só que nós não vemos desse jeito. Estão tendo verbas e elas devem ser utilizadas no setor covid e o nosso trabalhador está se contaminando, então ele tem esse direito a insalubridade dos 40% sim, porque a contaminação está comunitária, todos tem esse direito”, afirmou.

Geane explicou que com a falta de circulação dos ônibus, os profissionais aumentaram os seus gastos para conseguirem chegar ao trabalho. “O transporte público está de greve há mais de 30 dias e o nosso trabalhador está pagando para trabalhar, então não justifica. Então nossa briga é para os cumprimentos dos TCCs, insalubridade de 40%, EPI de qualidade e melhores condições de trabalho, então abaixo o assédio, pois nosso trabalhador está sendo assediado”, criticou.










De acordo com Erick Ricelley, presidente do Senatepi, o governo do Piauí não se manifestou para resolver nenhum dos problemas apresentados pela categoria, nem mesmo em relação a circulação dos ônibus.

“Esperamos que o governo do estado olhe para os servidores com mais respeito, pois o que eles estão pedindo é o cumprimento da lei e não uma briga por reajuste salarial, mas por dignidade. Os profissionais estão pedindo um EPI de qualidade, então pedindo para fazer teste, para ter uma atenção quando eles adoecerem, estão pedindo para chegar ao trabalho porque não tem ônibus. Ontem na reunião, nem sequer disseram uma proposta de acesso ao hospital. Todos os outros hospitais colocaram uma van ou um auxílio de transporte. Nem uma proposta para isso. O governo está mais preocupado em fazer um desconto [na folha de pagamento], quando o trabalhador não consegue um ônibus para ir trabalhar”, criticou Erick Ricelley.

Outra pauta comum aos profissionais trata do descumprimento da lei de nº 6.201 que dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos dos Profissionais de Saúde Pública da Administração. Segundo Erick Ricelley, mesmo com decisão da Justiça, obrigando o Governo do Estado a cumprir a lei, até o momento não o fez.

“Estamos esperando que o desembargador Erivan Lopes faça valer a lei, porque não é possível ficar procrastinando decisão judicial e nós queremos entender com é que não cumpre nenhuma das etapas e fica por isso mesmo. Antes de qualquer análise do judiciário em relação a greve tem que ver a atuação do governo que não cumpre com as decisões judiciais”, disse Erick Ricelley.

O que diz a Sesapi

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde lamentou a decisão dos profissionais de deflagrar greve.

Confira a nota na íntegra:

O Governo do Estado lamenta a decisão do Sindicato dos Enfermeiros de deflagrar uma greve em meio ao maior desafio de saúde pública dos últimos 100 anos. Tal decisão pode trazer prejuízos vitais para a sociedade. Ressaltamos que todos os profissionais estão com salários em dia, que o adicional de insalubridade é pago normalmente, conforme determina a legislação estadual, e que não há falta de EPIs em nenhuma unidade de saúde, não havendo, assim, motivos para paralisação.

Ressaltamos ainda que, caso o movimento se concretize, o Governo irá tomar as medidas cabíveis por meio judicial e administrativo para garantir o atendimento pleno da população.

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